Ensino Doméstico - Educação Domiciliar

Aos pais pertence o direito de escolher a educação dos filhos

“O contacto com os livros deve ser iniciado o mais cedo possível, não só pelo manuseio, como também pela história contada, pela conversa ou pelos jogos rítmicos, no sentido de fazer amar a leitura, para que o leitor se sinta o protagonista do seu aprendizado.

Sabe-se que o desenvolvimento harmonioso, em todos os aspectos da personalidade infantil, exige, desde a idade pré-escolar, a criação do intrusamento entre a teoria e a prática, entre o universo estético e o universo real.

Do ponto de vista ‘receptivo’, requere-se, antes de mais, a aceitação do texto literário por parte da criança, para que possa estimular tanto interesse que mereça a atenção de sua leitura ou do seu jogo. Essa aceitação proporá uma relação com a competência cognitiva da criança. Esta, sem dúvida, tenta entender os contos que se lhe são contados (ainda que nem sempre os entenda como adultos). Porém, a criança apropria-se e faz seus, exemplos, textos, canções que lhe servem para brincar.

Os resultados da actividade produtiva da competência literária da criança ganharão importância, se considerarmos que podem servir de avaliação do aspecto receptivo. Por exemplo, nos casos das narrativas orais, é sabido que, quando a criança escuta um conto, a sua mente está a produzir outro. Isto vem reforçar a ideia de que, por um lado a narrativa oral opera como um veículo de emoções e, por outro lado, inicia a criança na palavra, no ritmo, nos símbolos, na memória; desperta a sensibilidade, conduzindo á imaginação através da linguagem global. Pois, escutar histórias é uma das primeiras experiências literárias.

Na tradição, nas vanguardas, no falar lúdico das crianças, encontramos sempre estímulos como factores de desencadeamento da actividade linguistica criativa: a palavra e a transgressão, ou mais exactamente, o prazer produzido pela transgressão. O sujeito lúdico e o sujeito poético desfrutam de uma específica sensualidade, a causa desse gosto coincidente pelo disparate semântico, pela irracionalidade, pelos efeitos humorísticos e equívocos, pela ruptura de sistemas normativos, pela negação da monotonia dos hábitos quotidianos.

A literatura infantil procura pôr, perante os olhos da criança, alguns fragmentos de vida, do mundo, da sociedade, do ambiente imediato ou longínquo, da realidade exequível ou inalcançável, mediante um sistema de representações, quase sempre com uma chamada á fantasia. E tudo isto, para responder ás necessidades íntimas e inefáveis, ou seja, as que a criança sofre sem sequer saber formulá-las, e para que a criança jogue com imagens da realidade que se lhe oferecem e construa, assim, a sua própria cosmovisão. É bom lembrar que a criança recebe imagens da realidade, mas não a própria realidade."

Armindo Mesquita
AEstética da Recepção na Literatura Infantil

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